Alcatrazes (SP) será aberto ao turismo controlado

N°.20170912

Por: Claudio Schapochnik

Detalhe do arquipélago (foto Cristian Dimitrius/ICMBio)

Nesta quarta-feira (13), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) abre para visitação pública mais uma unidade de conservação. Trata-se do Refúgio de Vida Silvestre (RVS) do Arquipélago de Alcatrazes, localizado em São Sebastião (SP), com atividades de mergulho recreativo e passeio embarcado para observação da fauna.

Neste dia, às 15h, na Delegacia da Capitania dos Portos em São Sebastião haverá a assinatura da Portaria de Autorização para Visitação em Alcatrazes e acordo de cooperação com a SOS Mata Atlântica, no sentido de oferecer apoio à gestão. A solenidade contará com a presença dos ministros do Meio Ambiente, Sarney Filho, e da Defesa, Raul Jungmann, e do presidente do ICMBio, Ricardo Soavinski, e da diretora da SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota. Antes da solenidade, eles farão uma visita ao arquipélago.

FAUNA E FLORA
A solenidade também marca o aniversário de um ano do Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, criado em 2 de agosto de 2016.

O refúgio é gerido de forma unificada com a Estação Ecológica Tupinambás, compondo o Núcleo de Gestão Integrada ICMBio Alcatrazes. Nas duas unidades foram registradas 1.300 espécies, sendo que 93 delas estão sob algum grau de ameaça de extinção. Além das ameaçadas, o arquipélago dos Alcatrazes abriga espécies endêmicas e possui a fauna recifal mais conservada e biodiversa do Sudeste e Sul do Brasil, sendo também área de reprodução e crescimento de espécies de valor comercial para o setor pesqueiro.

Segundo o ICMBio, abriga também um dos maiores ninhais do País com nidificação de fragatas, atobás e gaivotões. Estão protegidas em Alcatrazes 259 espécies de peixes, destacando-se a garoupa e o tubarão-martelo, entre outras, e ocorre ainda presença considerável da-tartaruga-de-pente e da tartaruga-verde, ambas ameaçadas de extinção. Na região há intensa ocorrência de baleias e golfinhos, sendo ao todo dez espécies registradas para o arquipélago.

De acordo com o ICMBio, a vegetação do arquipélago é caracterizada por áreas de mata atlântica e campos rupestres, e já foram encontradas 320 espécies de flora. Além de exuberante beleza e expressiva biodiversidade, o arquipélago de Alcatrazes faz parte do patrimônio arqueológico, histórico e cultural da região. Os paredões graníticos de 316 metros de altura no meio do oceano impressionam os navegantes pela beleza, e as águas com boa visibilidade e grande quantidade de vida marinha são um convite ao mergulho contemplativo.

A partir da assinatura da portaria, as empresas de turismo e profissionais autônomos interessados, que atenderem os pré-requisitos estabelecidos no documento, poderão se cadastrar para prestar serviços de visitação no Refúgio. A perspectiva é que no inicio de 2018 o turismo no local esteja já em funcionamento.

“O turismo em Alcatrazes é uma antiga reivindicação de vários setores locais, que possibilita a apropriação e a valorização pela sociedade desse importante patrimônio natural”, argumenta a chefe do Núcleo de Gestão Integrada de ICMBio Alcatrazes, Kelen Luciana Leite.

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