Inhotim (MG): local ímpar que abriga arte e natureza

N°.20170911

Por: Juliana Borges

O instituto abriga 23 galerias de arte contemporânea e mais de 4.200 espécies de plantas

JULIANA BORGES
Enviada a Brumadinho/MG

Localizado a cerca de 1h30 de Belo Horizonte, Inhotim é um local incomparável. Lar de 23 galerias de arte contemporânea, o instituto é também referência em botânica com belíssimos jardins e mais de 4.200 espécies de plantas. À primeira vista é fácil pensar que se trata apenas de um parque, com belos lagos e árvores grandiosas. Mas a medida em que os visitantes caminham pelo local, surgem as obras expostas em meio à natureza e as galerias que abrigam trabalhos de famosos artistas contemporâneos. Assim, começa a compreensão de que o instituto não é apenas um museu ou um jardim botânico, mas um espaço único e que – nas palavras da diretora artística adjunta do Inhotim, María Eugenia Salcedo – “traz um frescor que beneficia a todos”.

A obra Gui Tuo Bei (2001), de Zhang Huan

Obra com três esculturas de Edgard de Souza (sem título, feita entre 2000 e 2005)

ARTE CONTEMPORÂNEA
Os colaboradores do instituto sugerem no mínimo dois dias para conhecer Inhotim. São 140 hectares de extensão, divididos em três eixos: o rosa, o amarelo e o laranja (confira o mapa aqui). A recomendação dos guias é visitar os dois primeiros eixos em um dia e o terceiro (laranja) em outro.

Ao todo, a coleção do instituto tem 1.300 obras, sendo que 700 encontram-se expostas. Entre as galerias, há aquelas na qual a visita é imprescindível. Entre as favoritas estão a Galeria Cildo Meireles, com obras como o Desvio para o vermelho (1967-1984) – uma sala onde todos os móveis e objetos tem a cor vermelha, até mesmo os itens da geladeira – e Através (1983-1989), onde os visitantes são convidados a pisar em cacos de vidro e a ultrapassar, se assim desejarem, obstáculos.

A obra Desvio para o vermelho (1967-1984), de Cildo Meireles

A Linda do Rosário (2004), de Adriana Varejão

Outra galeria com obras intrigantes é a de Adriana Varejão. A arquitetura do prédio chama atenção de longe e as duas piscinas à frente dele, uma verde e a outra azul, ajudam a completar o cenário. No Inhotim, Adriana expõe trabalhos onde se dedicou prioritariamente à pintura. Alguns destaques são Linda do Rosário (2004), inspirado no desabamento de um hotel no Rio de Janeiro, e Calecanto provoca maremoto (2004-2008).

Também impactantes são as galerias True Rouge, do artista Tunga, e a de Doug Aitken, onde está a Sonic Pavilion (2009). A obra se trata de um pavilhão de vidro e aço, revestido por uma película plástica, que tem ao centro um poço de 202 metros de profundidade. No fundo do poço estão instalados microfones que captam o som da Terra em tempo real para que os visitantes possam ouvi-lo no pavilhão, por meio de caixas de som.

O Sonic Pavilion (2009), de Doug Aitken

HISTÓRIA E DESTAQUES BOTÂNICOS 
Inhotim começou a ser idealizado pelo empresário Bernando de Mello, que era dono da propriedade e a utilizava como uma casa de campo, na década de 1980. Os portões da antiga fazenda ainda estão no local, agora já entremeados pela natureza que cresceu ao redor. Mello começou então a cultivar diferentes espécies de plantas no local, algumas delas até mesmo sugeridas pelo paisagista Burle Marx, que visitou a propriedade na época.

Aos poucos o empresário passou a comprar os terrenos ao redor da antiga vila que existia no local e possuía o nome de Inhotim, herdado pelo instituto. O nome vem de um senhor inglês que viveu na região no século 19, Mr. Timothy. Os moradores foram encurtando o nome que passou de Senhor Timothy, para inhô Timothy, até chegar a Inhotim. A história está registrada no instituto por meio dos depoimentos de moradores da região.

São diversos lagos e belas paisagens

Entre os destaques botânicos está a árvore Tamboril, que é cartão postal do instituto. Ela tem entre 80 e 100 anos e pode alcançar 35 metros de altura quando adulta. Em frente a ela está um dos 120 bancos de madeira, do designer Hugo França, que estão espalhados pela extensão do parque. Os móveis são fabricados com madeira reaproveitada e envernizados.

A grande área verde do local ainda conta com plantas como: agalve polvo, samambaia gigante, pata-de-elefante, palmeira azul, pau-brasil, jequitibá, inhame-roxo, corifa, coité, cica, xaxim, ipê-amarelo, entre muitos outros. Outro destaque é a palmeira-ráfia, que pode atingir até 20 metros de comprimento e floresce apenas uma vez na vida, quando tem entre 20 e 30 anos. Após isso, inicia-se um processo de senescência, uma morte lenta que pode levar alguns anos. A folha desta palmeira fornece a fibra ráfia, utilizada na produção de cestos, chapéus, esteiras, tinturas e cintos.

A árvore Tamboril

O Inhotim também conta com sete jardins temáticos. Um deles, o Lago das Orquídeas, tem aproximadamente 17 mil orquídeas distribuídas em 48 palmeiras nativas.

TECNOLOGIA E INFRAESTRUTURA
Já na bilheteria do Instituto, os visitantes são convidados interagir com o local no ambiente virtual. Um aviso em uma parede informa que as fotografias que tiverem a hashtag #INHOTIMDC aparecerão em uma exposição que acontece em Washington, D. C., nos Estados Unidos. Outro texto convida os visitantes a baixarem o aplicativo do Inhotim, com informações sobre os acervos de arte e botânica, arquitetura e serviços, mapa, roteiros e a programação do dia.

Quem ficar sem bateria, pode procurar um dos pontos de recarga do local, com tomadas 110V. Por ter uma longa extensão, o parque conta com carrinhos conduzidos por funcionários (serviço cobrado a parte, custa R$ 28 de terça a domingo e crianças de até cinco anos não pagam). Quem optar por fazer uma visita mediada deve se inscrever na recepção do local. As saídas acontecem às 11h e às 14h de terça a domingo e têm 25 vagas disponíveis. Grupos de até 25 pessoas também podem agendar visitas acompanhadas de orientadores com a Belvitur.

Obra Bisected triangle, Interior curve (2002), de Dan Graham

Obra Penetrável Magic Square (1977), de Hélio Oiticica

O local ainda conta com dois restaurantes, o Tamboril, que tem opção de bufê livre por R$ 79, incluindo sobremesa) e o Oiticica, self-service com o valor de R$ 43 o quilo. O instituto também possui dois cafés, o das Flores e o do Teatro.

COMO CHEGAR
Dois ônibus ligam Belo Horizonte ao Inhotim. Um deles sai da Rua Professor Moraes, 600, na região da Savassi, em Belo Horizonte (o serviço tem valor de R$ 66 ida e volta ou R$ 35 apenas volta, as reservas podem ser feitas por telefone (31) 3290-9180 ou e-mail: inhotim@belvitur.com.br). A outra opção parte da Rodoviária de Belo Horizonte (custa R$ 33,05 a ida e R$ 32,50 a volta e sai da rodoviária às 8h15, retornando de Inhotim às 16h30, exceto aos sábados, domingos e feriados, quando o retorno é as 17h30).

O TurismoEtc viajou a convite da Avianca Brasil, em parceria com a Secretaria de Turismo do Estado de Minas Gerais e da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur)

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